sábado, 9 de junho de 2012

MISSÃO CUMPRIDA - 41 QAUDROS PRONTOS

ESTÁ TÃO GOSTOSO O TRABALHO QUE NÃO PARAREMOS EM 40 QUADROS. AGORA QUE A ESCOLA PEGOU FOGO E TODO MUNDO QUER PINTAR...VAMOS CONTINUAR.... Nome do quadro: SANTO ANTÃO - O PAI DE TODOS OS MONGES O santo inspirador de todos os monges. Vivia no deserto aprendendo a evitar todas as tentações (representadas pelo dragão). O primeiro monge João Maria Introduziu nessa região o culto a Santo Antão, que é considerado o “pai de todos os monges”, cuja festa continua até os dias atuais, comemorada em 17 de janeiro. A região do Campestre passou a ser chamada, desde então, de Campestre de Santo Antão. Vigésimo primeiro quadro de uma coleção de quarenta Nome do quadro: TERCEIRO MONGE – JOSÉ MARIA Este monge apareceu na região o4 anos do Conflito do Contestado começar. Ele sucedeu o monge João Maria de Jesus que desapareceu da região em 1908. Este terceiro monge benzia, fazia batizados, receitava remédios, mas era principalmente guerreiro, líder em batalhas. A vida monárquica voltava-se ao misticismo e cultivava a alegria. Havia animadas refeições coletivas. Aliás, era uma espécie de comunismo místico. O comércio era proibido. Todos tinham de repartir o que possuíam com os outros. José Maria reinava absoluto. Dava bênçãos, fazia casamentos até de crianças, ouvia confissões. Tinha a confiança total do povo. Dormia com três virgens que o assessoravam. Quem duvidasse da pureza desse relacionamento seria sangrado. Vigésimo quadro de uma coleção de quarenta Nome do quadro: A MORTE DE MARIA ROSA Assumiu a liderança espiritual e militar dos revoltosos do Contestado, no reduto de Caraguatá, após a destruição do reduto de Taquarussu. Montada em seu cavalo, ia á frente dos jagunços. Trazia uma espingarda na sela e uma espadana cinta. Muitas flores nos cabelos, um longo vestido branco, até os pés. Seu cavalo branco tinha arreios de veludo. Liderou as tropas contra os soldados de Santa Catarina. Causou pavor. Seus homens imbatíveis eram ágeis na mata. A essa época já existia, no conflito caboclo do Contestado, trinta redutos com 6 mil homens armados. As tropas federais entraram em ação. Foi enviado o general Setembrino de Carvalho à frente de 7 mil homens, que significava em torno de 80% do exército brasileiro. Recorreram até mesmo a aviões, chamados pelos jagunços de "gaviões voadores". A violência explodiu no Contestado. A virgem Maria Rosa mandou "limpar" as cidades vizinhas a fim de purificar o ambiente para a volta do "monge". Então os jagunços passaram a saquear e matar sertanejos pacíficos. Os soldados davam cabo do que sobrava: violavam mulheres, atacavam casas. Maria Rosa morreu em 28 de Março de 1915, da vila de Reinchardt, lutando contra o capitão Tertuliano Potyguara e um efetivo de cerca de 710 homens. Maria Rosa morreu às margens do rio Caçador. Vigésimo segundo quadro de uma coleção de quarenta MONUMENTO EM LAGES (SC) – TERCEIRO LOCAL DE REFÚGIO DO PRIMEIRO MONGE JOÃO MARIA D’AGOSTINI O primeiro deles, o monge João Maria d’Agostinho, era imigrante italiano e residiu em Sorocaba (SP), mudando-se em seguida para o Rio Grande do Sul, onde viveu entre os anos de 1844 e 1848 nas cidades de Candelária, no morro do Botucaraí, e Santa Maria, no Campestre. Sua prisão foi decretada em 1848, pelo General Francisco José d’Andréa (Barão de Caçapava), mediante o temor de levantes e concentrações populares que começavam a ser comuns naquela região, ficando o monge foi proibido de voltar ao Rio Grande do Sul. Refugiou-se na Ilha do Arvoredo (SC), depois em Lapa (PR), na serra do Monge, e em Lages (SC), desaparecendo misteriosamente em seguida. Décimo nono quadro de uma coleção de quarenta Nome do quadro: MARIA ROSA – A GUERREIRA Maria Rosa é como ficou conhecida a personagem brasileira que foi uma das líderes da Guerra do Contestado (1912-1916). Dizem os historiadores que, com apenas 15 anos, Maria Rosa lutou como homem nesta guerra. Considerada como uma Joana D'Arc do sertão. A personalidade da adolescente torna a vida no reduto de Caraguatá dinâmica, quando consegue a adesão do juiz de paz, do subdelegado do distrito e de quase todos os habitantes de São Sebastião das Perdizes, proximidades de Caraguatá. O sorriso permanente e o porte esbelto, marcam a presença da jovem em qualquer ambiente. Já nos momentos de tomar decisão, ela assume a postura de uma estrategista, demonstrando conhecimentos muito superiores à idade e ao nível cultural em que vive. Caraguatá foi evacuado devido a uma epidemia de tifo. Há ainda outros motivos que teriam servido de incentivo para a mudança. Maria Rosa teria recebido um mensagem de José Maria avisando que as forças policiais voltariam a atacar e por isso era necessário providenciar a mudança dos fiéis. Assim, a “Virgem” comandou a evacuação e comandou a marcha com mais de duas mil pessoas, além de animais e mantimentos para o reduto de Bom Sosseg Maria Rosa não sabia ler nem escrever, mas falava sem desembaraço. Andava amiúde com um vestido Como “Virgem” e comandante, procurou manter o comando sobre os “Pares de França” e os sertanejo Diferentemente de Teodora, suas ordens não eram submetidas a um conselho. Vigésimo terceiro quadro de uma coleção de quarenta Nome do quadro: VIRGEM CONSTANTINA EM SUPLÍCIO O Monge José Maria estava sempre acompanhado por três virgens: Maria Rosa, Constantina e Teodora. Elas tinham visões do Segundo Monge desaparecido quatro anos antes de iniciar a guerra (1908). Era comum José Maria amarrar a virgem numa árvore e açoitá-la com chicote, para purificar-lhe a alma. Décimo oitavo quadro de uma coleção de quarenta Nome do quadro: FANATISMO RELIGIOSO Embora fosse patente a exploração dos camponeses pobres pelos fazendeiros e companhias estrangeiras (Railway e Lumber Colonization) que se apropriavam das terras da região, favorecidos pelos governos. O próprio general Setembrino de Carvalho, "Comandante das Forças em Operações de Guerra", prometia lotes de terras aos rebeldes que se entregassem; e o pacifista capitão Matos Costa, compreendendo a causa intrínseca da revolta, concedia entrevistas a jornais, declarando que os "jagunços" eram oprimidos e esbulhados em seus direitos. Décimo sétimo quadro de uma coleção de quarenta Nome do quadro: JOÃO MARIA E AS CHEIAS DE PORTO UNIÃO Quando esteve na cidade em 1896, São João Maria plantou uma cruz no alto de um morro. Previu que se um dia ela caísse, o rio Iguaçu subiria de nível e inundaria a cidade. Dias antes das enchentes de julho de 1983, a cruz tombou de lado, sem chegar a cair. Foi o suficiente para que a população realizasse procissões até o morro da Cruz, mas isso não bastou: a chuva engrossou e as águas cobriram a cidade. Só ficaria de fora, segundo a profecia, a residência do coronel Amazonas Marcondes. Era um homem bom e quedaria a salvo. E foi o que aconteceu. A casa ainda existe. Confira abaixo as fotos que fiz da enchente de 1983, quase todas a bordo de um helicóptero da Aeronáutica que atendia os flagelados. E outras imagens. Há também o relato de Cleto da Silva sobre a presença de João Maria em Porto União/União da Vitória - a cidade era uma só, mas foi dividida após o fim da guerra do Contestado. A lenda da sucuri é muito comentada pelos antigos de nossa cidade, principalmente pelos pescadores que, muitas vezes, deixaram de descer o Rio Iguaçu por medo da cobra gigante que corria o mato e as águas, assustando pessoas e virando os barcos. Conta-se, inclusive, que num certo ponto do rio, em determinado momento, a água começa a borbulhar e ferver de repente, sendo esse fato provocado, segundo o povo, pelo acordar e sacolejar da sucuri gigante. Dizem, ainda, que há pouco tempo dois valentes moradores conhecidos de nossa cidade, em luta direta venceram a grande cobra. Nestas histórias muitos acreditam, outros duvidam, mas todos sabem comentam sobre elas. Vigésimo quinto quadro de uma coleção de quarenta Nome do quadro: A ASSINATURA DO ACORDO DE LIMITES ENTRE PARANÁ E SANTA CATARINBA NO PALÁCIO DO CATETE Em 1853 começa a disputa de limites entre Santa Catarina e Paraná, quando este último se desmembra de São Paulo e firma posse sobre o oeste catarinense. Com a constituição de 1891, é assegurada aos Estados o direito de decretar impostos sobre as exportações e mercadorias, como também indústrias e profissões, o que acirra ainda mais a questão dos limites, pois a região era rica em ervas. Em 1904 Santa Catarina tem ganho de causa perante o Supremo Tribunal Federal, mas o Paraná vai recorrer perdendo novamente em 1909 e 1910. Porém a discussão não finda por aqui, sendo resolvida em 1916 quando os governadores Felipe Schmidt (SC) e Afonso Camargo (PR), por intermédio do Presidente Wenceslau Bráz, assinam um acordo estabelecendo os limites atuais entre os dois estados. Vale lembrar que essa disputa não tinha muita relevância na população, pois o poder era sempre representado pelos coronéis, tanto fazia pertencer a Santa Catarina ou ao Paraná. Décimo sexto quadro de uma coleção de quarenta Nome do quadro: CABOCLO PARDO O nome "Caboclo" na região do Contestado incluía vários tipos humanos como: o branco, o índio, o negro, o mameluco, o cafuso e o mulato. O resultado final das misturas de todas essas raças com suas próprias características, tornavam-se inconfundível onde que se apresentasse O caboclo era um cidadão do Planalto Catarinense, que trabalhava no campo, no sertão e na roça em troca de seu salário. Sertanejo, caipira, matuto e envergonhado. Face queimada pelo sol, mãos calejadas pelo trabalho. Adaptado com a caça e a pesca, nele corria o sangue do alegre, trabalhador e justo. Era corajoso, violento e instintivo. O caboclo aprendeu a "Coivana" – queima de roça, campo e mato para preparar a terra para a lavoura. Os primeiros civilizados incorporaram as próprias crenças, lendas, supertições, crendices, costumes e usos dos indígenas nativos como: artesanato, técnicas e práticas agrícolas. O sertanejo, o nosso caboclo pardo é uma extensão cultural dos primitivos senhores de terras. A formação da população e suas origens forma os paulistas que tinham uma forte influência castelhana e não somente portuguesa, índia ou negr Surgiu o caipira paulista ou seja o mameluco que se atirou ao tropeirismo, bondeirismo, mineração e a aventura. Juntando-se aos gaúchos dos pampas. A cultura lusitana e a Castelhana se fez notar através das vilas, sedes e fazendas requintadas e diferenciadas das habitações dos agregados e pobres. O caboclo trabalhava muito e pouco se divertia, gostava de música. Místico e religioso era devoto a "São João Maria". Autêntico serrano com sua pele parda marcou presença no contestado. Vigésimo sexto quadro de uma coleção de quarenta Nome do quadro: SEGUNDO MONGE JOÃO MARIA DE JESUS CURANDO DOENTES João Maria é uma das referências centrais desse processo de ressignificação da mítica do Contestado. João Maria foi interpretado, inicialmente, como homem pacífico, conselheiro, benzedor, alguém que dava sermões nas igrejas e se parecia com um frei ou um padre católico, um monge ou alguém que procurava se afastar do mundo para estar com Deus; quando aconteceu a guerra, ele, mesmo “ausente” fisicamente, já era alguém a quem se atribuíam os comandos da guerra. Nesse período ele foi confundido com José Maria, que, além de fazer curas, instituiu os “doze pares de França” e partiu para a luta. Décimo quinto quadro de uma coleção de quarenta Nome do quadro: IRANI – BERÇO DO CONTESTADO Um dos principais palcos da Guerra do Contestado, o Município de lrani insere-se numa área que foi disputada, inicialmente por Brasil e Argentina, na questão dos limites entre os dois países e, posteriormente, pelos estados do Paraná e Santa Catarina. O território começou a ser desbravado em meados do Século passado. As terras de Irani pertenciam ao Município de Palmas PR e em virtude de disputa pelas mesmas ocorreu a Guerra do Contestado entre 1912 e 1916. Na área, onde hoje situa-se o Município de Irani, foi travada uma das mais famosas batalhas da Guerra do Contestado. O chamado "Combate de Irani",foi o marco inicial de uma série de lutas travadas entre as tropas do Governo Federal e os jagunços, seguidores do messiânico Monge João Maria, considerado o líder espiritual de uma espécie de "Exército Encantado ". O Município de Irani ainda preserva alguns lugares que serviram de redutos para aqueles que combateram nessa Guerra, que entrou para a história, como o maior conflito social do Brasil, tirando a vida de mais de 10 mil pessoas, entre 1912 e 1916. O "Cemitério do Irani", um dos marcantes referenciais históricos da Guerra, é um dos locais preservados pelo Município e que chama a atenção dos turistas que o visitam. Quanto a origem de seu nome, o topônimo originou-se do rio de igual nome que atravessa o município, sendo originário da língua Tupi-guarani e, acredita-se que seja Mel Envelhecido, considerando, que, na referida língua, IRA = MEL e NHI = ENVELHECE Mas de acordo com a revista MARES DO SUL DE 1999, originou-se outro nome, sendo este chamado ABELHA ENFURECIDA. Vigésimo sétimo quadro de uma coleção de quarenta Nome do quadro: OS FANÁTICOS A guerra alimentada pelo caráter de reforma religiosa, exigida pelos devotos dos monges, cede espaço a uma luta armada que, uma vez concluída, proporcionaria a cada guerrilheiro a desejada situação econômica e social. A destruição dos redutos, com a conseqüente dispersão dos combatentes, poderia trazer como resultado a volta à marginalidade anterior, o retorno à miséria, à falta de terras para cultivar ou à inexistência de meios para manter o guerrilheiro e seus familiares. A continuação das hostilidades contra as populações pacíficas e, principalmente, contra as tropas do governo, alimentava esperanças de resolução dos problemas que haviam lançado o caboclo na miséria, e o marginal, no crime. Nos redutos, o prestígio do chefe espiritual cede lugar exclusivo ao comandante-das-armas. O fanatismo religioso cede espaço ao banditismo de marginais, promovido também pelos vaqueanos civis, a serviço das tropas do governo. Décimo quarto quadro de uma coleção de quarenta Nome do quadro: O HOMEM DO CONTESTADO A população típica formou a civilização do "Homem do Contestado". O sertão uniu brancos, negros e índios, em torno de causas comuns, liberdade e justiça social. A personalidade destas pessoas sempre se impôs no território e dividiu prioridades após a chegada dos imigrantes europeus. Vigésimo oitavo quadro de uma coleção de quarenta Nome do quadro: NOSSOS TATARAVÓS A região de Porto União e União da Vitória teve início com com os paleoameríndios vindos pelo Estreito de Bering. Milhares de anos passados estes distribuíram-se em grupos de ameríndios formando sete tribos. O grupo que sobreviveu foram os guaranis, subdivididos em duas tribos: kaigangs e xoklengs. Os kaigangs foram os indígenas que aliaram-se aos bandeirantes tropeiros que chegaram à região. Após os bandeirantes vieram os imigrantes de diversas nacionalidades originando mulatos, cafusos, mamelucos, sendo todos caboclos matutos que originaram o Contestado. Décimo terceiro quadro de uma coleção de quarenta Nome do quadro: MUDANÇA DE REDUTO As virgens guerrilheiras lideravam todas as ações dos redutos. No caso de execuções também a palavra delas é que determinava vida ou morte. Tudo em nome das visões e mensagens recebidas dos monges. Após a morte do terceiro monge, fanáticos e jagunços dependiam das mensagens recebidas pelas virgens, para então traçar as estratégias de guerrilha. Vigésimo nono quadro de uma coleção de quarenta Nome do quadro: A LINHA DO PROGRESSO E DA DOR A estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande foi construída para integrar econômica e geograficamente o sul do Brasil. As obras do trecho em terras do meio-oeste catarinense foram entregues ao poderoso Sindicato Farquhar, que além de ter construído a ferrovia Madeira-Mamoré operava serviços de infra-estrutura como portos, energia elétrica, transportes e comunicações de Porto Alegre a Belém do Pará. Com um lobista do porte de Rui Barbosa, seu advogado, o Sindicato de propriedade do norte-americano Percival Farquhar conseguiu uma inédita forma de pagamento: recebia em dinheiro e mais 15 quilômetros de cada lado da ferrovia. Com uma força armada particular, ocupou essas terras expulsando delas sertanejos brasileiros, seus primeiros moradores. A ferrovia foi suporte fundamental para a criação da Southern Brazil Lumber & Colonization Co. Inc., grande madeireira e colonizadora de terras. A madeira arrancada da região era transportada via estrada de ferro para os portos do sul. Para isso também foi construído o ramal Porto União-São Francisco do Sul. Durante a Guerra do Contestado a estrada de ferro transportou soldados, armas e munição do Exército Brasileiro que protegeu interesses do Sindicato Farquhar atacando populações nativas. A empresa norte americana dispensou, de uma só vez em plena guerra, mais de mil operários que vagaram pela região engrossando as fileiras dos jagunços revoltados. Décimo segundo quadro de uma coleção de quarenta Nome do quadro: MORTE AO DRAGÃO Não havia limites para a adoração. Um jovem, por exemplo, que pretendia ser um par da França, pediu ao "monge" que o aceitasse e recebeu a seguinte missão: "Traga cinqüenta orelhas de peludos". A mãe do jovem intercedeu, propondo que seu filho matasse o "dragão que aterroriza o sertão". José Maria concordou. O jovem partiu a cavalo. Durante meses, percorreu o sertão á procura do dragão de fogo. Cansado, faminto, enfim encontrou o rastro do dragão. Satisfeito, iniciou a derradeira perseguição. À noite, enfim colocou-se diante do animal. O dragão vinha veloz em sua direção. Ele preparou a espada, firmou-se na sela e lançou-se no escuro: o trem passou por cima de seu frágil corpo. Trigésimo quadro de uma coleção de quarenta Nome do quadro: CHICA – MÉDICA DOS “PELADOS” A menina Francisca Roberta (Chica Pelega), respeitada em Taquaruçú por seu conhecimento e trato com ervas medicinais fica no reduto cuidando de doentes, velhos e crianças. Chica Pelega nasceu na lavoura, em meio à floresta, por isso, dizer que ela é filha da terra, irmã da floresta, irmã do rio. Sua mãe dera à luz, sozinha e depois foi banhar-se no rio. Desde pequena, Chica possuía o dom da cura. Décimo primeiro quadro de uma coleção de quarenta Nome do quadro: ENCONTRO ENTRE MARIA ROSA E MATOS COSTA Certa vez, prenderam um adepto de José Maria. Rasparam sua cabeça. A partir daí, os partidários do "monge" passaram a chamar-se de pelados e os inimigos, peludos. Mas eram atritos esporádicos. O capitão matos costa foi morto pelos rebeldes em 6 de setembro de 1914. Na época os rebeldes incendiaram serrarias, depósitos de madeira e as estações de trem de canoinhas, nova galícia, Calmón e porto união. Matos costa foi chamado para dispersar os rebeldes que haviam tomado as margens da ferrovia em são João dos Pobres (hoje município de Matos Costa). Ele chegou ao local de locomotiva e um grupo de 42 soldados. Foram surpreendidos por 300 rebeldes que saíram do mato. O capitão conseguiu certa vez entrar no reduto bom sossego chefiado por Maria Rosa. Para que isto fosse possível matos costa raspou a cabeça e colocou um chapéu com fita branca representando a paz. Dias após quem ordenou a morte de matos costa foi Francisco Alonso de Souza (Chiquinho). Quem matou matos costa foi Venuto Baiano. Depois os próprios rebeldes executaram o matador, por ter agido na morte do capitão, sem a ordem da virgem Maria Rosa. Quem sucedeu matos costa foi setembrino de carvalho com 80% do exército brasileiro. Quem sucedeu Maria Rosa foi Chiquinho Alonso porque a atitude de Maria Rosa dialogar com Matos Costa, foi recriminada principalmente por Elias de Morais, chefe dos rebeldes. Trigésimo primeiro quadro de uma coleção de quarenta Nome do quadro: DESCANSO NO MEIO DA GUERRA Chica perdera o pai e o namorado em um massacre realizado a mando dos donos da estrada de ferro. Sozinha com a mãe, foi acompanhar o Monge José Maria e os romeiros; no acampamento, Chica cuidava dos doentes com muita dedicação. É morta ao final da história em um massacre criminoso organizado pelas forças do governo. Chica Pelega, heroína entre os jagunços. representa, mais que tudo, um emblema de luta. Início da Guerra: outubro de 1912 • Tempo da Guerra: 46 meses (out/1912 a ago/1916) • Auge da Guerra: Março-abril de 1915, em Santa Maria, na Serra do Espigão • Final da Guerra: Agosto de 1916, com a captura de Adeodato, o último líder do Contestado • Combatentes militares no auge da Guerra: 8.000 homens, sendo 7.000 soldados do Exército Brasileiro, do Regimento de Segurança do Paraná, do Regimento de Segurança de Santa Catarina, mais 1.000 civis contratados. • Exército Encantado de São Sebastião: 10.000 combatentes envolvidos durante a Guerra. • Baixas nos efetivos legalistas militares e civis: de 800 a 1.000, entre mortos, feridos e desertores • Baixas na população civil revoltada: de 5.000 a 8.000, entre mortos, feridos e desaparecidos • Custo da Guerra para a União: cerca de 3.000:000$000, mais soldados militares • A Guerra do Contestado durou mais tempo e produziu mais mortes que a Guerra de Canudos, outro conflito semelhante em terras do Brasil. • Em cinco anos de guerra, 9 mil casas foram queimadas e 20 mil pessoas mortas. Décimo quadro de uma coleção de quarenta Nome do quadro: A FÉ NA ÉPOCA DO CONTESTADO Entre fins do século XIX e a primeira década do XX, o campo brasileiro viu-se sacudido por alguns movimentos populares. De norte a sul surgiram manifestações de cunho religioso, como se o país despertasse de uma enorme letargia. Conselheiros no nordeste brasileiro (como Antônio Conselheiro, de Canudos, na Bahia) e monges nos sertões meridionais, vários personagens cruzavam os campos de lado a lado, medicando e aconselhando os caboclos, granjeando fama de milagrosos e poderosos. No interior do Paraná, uma figura que aparecia envolta em mistério, antes e durante os conflitos pela posse da terra na região sul do estado, na divisa contestada por Santa Catarina, foi um andarilho conhecido como o Monge da Lapa. Na verdade, foram três os monges que freqüentaram a região, em momentos críticos da história de nosso país. O primeiro surgiu em meados do século XIX, na década de 40, pouco depois das revoltas liberais que sacudiram o Brasil e pouco antes do término da Guerra dos Farrapos. O segundo marcou sua presença nos anos próximos à abolição da escravidão e do advento da República; em meio à Revolução Federalista temos o seu primeiro registro concreto. Finalmente, José Maria, o terceiro monge, surgiu em 1912, quando a Primeira República incentivava largamente a imigração e a construção de estradas de ferro, com contratos altamente vantajosos para as construtoras. Entre os dois primeiros existia uma forte semelhança no proceder, a ponto de serem considerados uma só pessoa. "Num dos retratos que corre como sendo do ‘santo’, estampa-se a legenda: ‘João Maria de Jesus, profeta com 188 anos’ Trigésimo segundo quadro de uma coleção de quarenta Nome do quadro: BELEZA, PUREZA E FÚRIA Chica Pelega, heroína entre os jagunços. representa, mais que tudo, um emblema de luta. Independente de sua existência física, significa a indignada síntese de uma coletividade injustiçada. Em 1914, as tropas do governo atacam novamente Taquaruçú onde ela luta bravamente. Chica Pelega morre quando a igreja, tomada pelo fogo, desaba em cima do galpão onde se encontravam mais de 300 pessoas. Antes da sua morte, a heroína Pelega revelou sua coragem e bravura enfrentando metralhadoras armada com seu facão e a fúria orientada pela sede de justiça, além das bênçãos do Monge e de São Sebastião. Nono quadro de uma coleção de quarenta Nome do quadro: BELICOSO DO CONTESTADO A Guerra do Contestado não foi a simplicidade de caboclos mal educados que, em forma de bandidos, resolveram atacar os civilizados, na categoria de bárbaros. Foram, isso sim, revoltados contra a ordem social de exclusão social a que foram submetidos sem lhes dar a mínima oportunidade de defesa legal perante os tribunais. Toda situação político-social-cultural foi desfavorável ao pobre caboclo do sertão. Nem sabiam e nem conseguiram saber se eram catarinenses ou paranaenses, eram os excluídos de verdadeira cidadania. Para eles não havia assistência religiosa de qualquer espécie. Ali não havia padres ou pastores. Não havia quem lhes batizasse os filhos, nem quem lhes preparasse para a Eucaristia. Nem Eucaristia existia ali. Eram os excluídos da religião. Trigésimo terceiro quadro de uma coleção de quarenta Nome do quadro: O RECADO Chica Pelega liderava os fanáticos e os jagunços. Montava muito bem e era valente. Possuía um belo cavalo e colocava nas costas uma manta felpuda semelhante a um pelego. Lutava, cuidava dos doentes, das crianças e dos animais. Tinha habilidade para fazer remédios e curar com ervas. Oitavo quadro de uma coleção de quarenta Nome do quadro: O POVO DO CONTESTADO No Contestado, o povo simples que perdeu suas terras sentiu-se abandonado pelo governo, sem ter seus direitos garantidos. O povo sertanejo protestava contra um mundo hostil e vislumbrava no horizonte outra sociedade, onde existissem igualdade, fraternidade e liberdade. Nesse sentido, houve um apelo da população local ao messianismo, definido por Mauricio Vinhas de Queiroz (1981), como um conjunto de crenças religiosas através das quais, um povo expressa a sua revolta diante de condições de vida precária, manifestando a esperança de que um herói com poderes sobrenaturais os salve e os leve para viver em um paraíso sem males. Trigésimo quarto quadro de uma coleção de quarenta Nome do quadro: COSTURANDO SONHOS A bandeira da "Monarquia Celestial" era branca com uma cruz verde e evoca os estandartes das antigas ordens monástico militares como as dos templários, por exemplo. Rosa Paes de Farias, filha do grande líder Chico Ventura, foi uma das últimas sobreviventes da guerra e viveu até os 98 anos. Fazia as bandeiras de guerra e os uniformes dos Pares de França, tropa de elite dos revoltosos. Jamais se arrependeu da resistência. Afirmava: “Nós estávamos aqui e vieram nos atacar. O que havíamos de fazer? Resistir. Houve muita morte de lado a lado. Mas muito soldado passou para o nosso lado”. O papel das mulheres menos conhecidas também foi fundamental. Enquanto os homens lutavam em várias frentes de combate elas cuidavam dos filhos, dos doentes e da obtenção e preparação de alimentos. Ao final da guerra foram tão humilhadas e maltratadas quanto seus maridos e filhos. Sétimo quadro de uma coleção de quarenta Nome do quadro: SÃO SEBASTIÃO Os sertanejos organizavam-se em pequenas vilas, rezavam para idolatrar João Maria e o santo São Sebastião. Eles pediam a proteção para vencer as forças do governo. Os primeiros videntes começaram a surgir, falavam que o monge estava protegendo-os e que podiam lutar contra o governo apenas com espadas de madeira. Viviam do que plantavam ou criavam, um ajudava o outro. Havia normas nessas vilas, como os homens rasparem a cabeça e usarem uma fita branca no chapéu, rezar diariamente, eram proibidos bailes, bebidas alcoólicas, prostituição. Deviam rezar três vezes ao dia em procissões e bandeiras, rezando e cantando, esperando a volta do monge. Não demorou muito, começaram os ataques pelas forças policiais, os vaqueanos, e mais tarde pelo exército. Aconteceram vários combates nos locais onde os sertanejos iam morar. Houve uma epidemia de tifo que matou muita gente. Em Caraguatá os sertanejos venciam facilmente os exércitos, ficavam escondidos no mato esperando para atacar, diziam que eram protegidos por uma força sobrenatural. Em Santa Maria a população não resistiu à fome, que acabou com as forças dos sertanejos, assim dando a vitória para o exército Trigésimo quinto quadro de uma coleção de quarenta Nome do quadro: INTOLERÂNCIA AOS IMIGRANTES Não obstante, o governo do Paraná reconheceu os direitos da ferrovia; atuou na questão, como advogado da Brazil Railway, Affonso Camargo, então vice-presidente do estado. Esses camponeses que viram o direito às terras que ocupavam ser usurpado, e os trabalhadores que foram demitidos pela companhia (1910), decidiram então ouvir a voz do monge José Maria, sob o comando do qual organizaram uma comunidade. Resultando infrutíferas quaisquer tentativas de retomada das terras - que foram declaradas "terras devolutas" pelo governo brasileiro no contrato firmado com a ferrovia [3] - cada vez mais passou-se a contestar a legalidade da desapropriação. Uniram-se ao grupo diversos fazendeiros que, por conta da concessão, estavam perdendo terras para o grupo de Farquhar, bem como para os coronéis manda-chuvas da região. Sexto quadro de uma coleção de quarenta Nome do quadro: O ÚLTIMO COMANDANTE JAGUNÇO Adeodato Ramos aos poucos tenta ganhar a confiança dos carcereiros, aproveitando o descuido da sentinela, ataca-o e toma o seu fuzil. O fato não passou despercebido, o major Trujilo de Mello ordena que pare. Adeodato instintivamente aponta o seu fuzil em direção ao major, mas estava vazio e o mesmo não acontece com o fuzil do major. Sem saber, Adeodato tinha caído numa armadilha republicana, sendo exterminado o último jagunço de José Maria. Ele ainda é levado para a enfermaria, mas não agüenta o ferimento, morrendo minutos depois, sendo enterrado numa simples cova como indigente. Nesse dia histórico, morre o flagelo de Deus e nasce a lenda no contestado. Adeodato Manoel de Ramos, último comandante "Jagunço" é preso e enviado para a cadeia em Florianópolis. 7 anos depois tenta fugir e é morto por um oficial... (Nos anos que se seguiram, os sobreviventes sertanejos continuaram sendo caçados e fuzilados, ou degolados, por policiais e piquetes de vaqueanos, a mando dos coronéis). Acuado, o líder rebelde concentrou o movimento nas margens dos rios Santa Maria e das Tripas, em Timbó Grande. Num vale de difícil acesso, ele mandou erguer uma igreja dedicada a São Sebastião e construir as primeiras casas de palha. Pela região se espalhou a notícia de que as águas dos rios eram milagrosas. Estima-se que cerca de dez mil caboclos passaram a viver no novo reduto. Aos poucos Santa Maria ficou isolada. Os "bombeiros" - espiões do movimento - informaram a Adeodato que chefes rebeldes estavam se rendendo nos quartéis. Em Itaiópolis, Antônio Tavares se entregou aos militares. Perto dali, em Canoinhas, era Bonifácio Papudo que desistia da guerra. Tanto Tavares quanto Papudo eram considerados líderes militares com experiência em confrontos com tropas legais. A desistência dos dois chefes de reduto aumentou, no entanto, o número de moradores de Santa Maria. Muitos dos caboclos que estavam sob suas ordens percorreram trajetos de cem quilômetros para se juntar ao grupo de Adeodato. Mesmo com a queda da "virgem" Maria Rosa no comando do movimento, a religiosidade não foi abandonada por completo pelos novos líderes rebeldes. Adeodato garantiu o protagonismo dos caboclos no movimento do Contestado. Trigésimo sexto quadro de uma coleção de quarenta Nome do quadro: REUNIÃO DOPS REBELDES A região do Contestado foi largamente percorrida por dois monges, de 1845 a 1908. O primeiro se chamava João Maria D’Agostini, era italiano de origem. Benzia, curava e não fazia ajuntamento de pessoas nem dormia na casa de ninguém. Veneradíssimo batizou milhares de moradores do sul do Brasil. Desapareceu por volta de 1890. Em seguida surge outro monge, João Maria de Jesus, nome adotado por Anastás Marcaf, turco de origem. Também percorria o sertão benzendo, curando e batizando. Não juntava gente em volta de si, não dormia nas casas, mas atacava a República. Desapareceu por volta de 1908. Quinto quadro de uma coleção de quarenta Nome do quadro: O MONGE DO MUNDO DOS GOLFINHOS O primeiro monge – João Maria de Agostinho foi expulso da região de Porto União e União da Vitória. Buscou exílío na Lapa, Lages e decidiu terminar seus dias num lugar paradisíaco chamado Morro do Taió, aonde existem belíssimos corais, peixes de todas as cores e centenas de golfinhos. Trigésimo sétimo quadro de uma coleção de quarenta Nome do quadro: CONTESTADO – 100 ANOS DEPOIS Área conflagrada: 15.000 km² - População da época envolvida na área de conflito: aproximadamente 40.000 habitantes - Municípios do Paraná, na época: Rio Negro, Itaiópolis, Timbó, Três Barras, União da Vitória e Palmas Municípios de Santa Catarina, na época: Lages, Curitibanos, Campos Novos e Canoinhas - Em 1914, o General Setembrino de Carvalho, enviado do Rio de Janeiro com tropas federais, e juntamente com soldados do Paraná e Santa Catarina, cercaram a região de Santa Maria matando grande número de pessoas; mortandade causada pela fome e epidemia de tifo, que acabou forçando os sertanejos, caboclos a se renderem. Após 4 anos entre conflitos e mortandades, o movimento do Contestado foi desfeito, a fronteira entre os estados foi demarcada e o poder dos latifundiários foi consolidado. Quarto quadro de uma coleção de quarenta Nome do quadro: O MONGE DA TOUQUINHA DE PELE DE JAGUATIRICA Este segundo Monge – João Maria de Jesus nunca foi guerreiro. Gostava de aconselhar, benzer, acampar próximo a olhos de água. Por onde passava o povo levantava uma cruz (cruzeiro) Desapareceu da região quatro anos antes da Guerra do Contestado. Quando perguntavam, a ele de onde veio...dizia que tinha vindo do mar, dentre âncoras e gaivotas, ou seja de navio, de uma terra muito distante. Na região existem vários monumentos em sua homenagem. Trigésimo oitavo quadro de uma coleção de quarenta Nome do quadro: REGIÃO DA GUERRA A guerra camponesa do Contestado não foi uma simples revolta de fanáticos como alguns historiadores procuram nos apresentar. Os sertanejos explorados pelos latifundiários, expulsos de suas terras pelas companhias estrangeiras, as quais o governo havia cedido grandes extensões de terra, reagiram a essa opressã Em resumo, podemos afirmar que a miséria, a ignorância e as injustiças sociais fizera, eclodir essa guerra que teve um fim trágico, com o massacre de milhares de camponeses (10.000 mortos). A região em que houve o conflito era chamada de área contestada, devido aos litígios de limites entre os estados do Paraná e Santa Catarina. Porém, a guerra foi a revolta dos sertanejos da região contra o governo, as companhias estrangeiras e as oligarquias locais e não um conflito entre os estados do Paraná e Santa Catarina. No sertão, os monges (figuras estranhas que levavam uma vida ascética) tinham grande prestígio. Em 1912, o monge José Maria d'Agostini, seguido pelos sertanejos que haviam sido expulsos de suas terras pelo "Brazil Railway Company", a quem o governo havia concebido nove quilômetros de cada lado da estrada de ferro, que está companhia norte-americana estava construindo na região contestada, rumou para os campos do Irani em território paranaense. Neste ano tivemos o combate do Irani, onde os seguidores do monge José Maria enfrentaram as tropas do coronel paranaense João Gualberto. Nesse combate, José Maria e João Gualberto faleceram. Após a morte do monte, os sertanejos radicalizaram suas posições, desencadeando uma verdadeira guerra civil. No auge do movimento, o território ocupado pelos sertanejos compreendia 28.000 quilômetros quadrados. A população oscilava em torno de 20 a 30 mil fanáticos, espalhados nos vários redutos. A revolta dos sertanejos era total: fazendas eram atacadas e saqueadas, os inimigos da fé eram mortos. Inclusive um escritório da "Lumber Company" foi atacado. A posse da terra era o principal motivo da revolta, segundo um sertanejo: "O governo da República toca os filhos brasileiros dos terrenos que pertencem à nação e os vende para o estrangeiro". No reduto, predominava a divisão por igual dos alimentos e de outros meios de subsistência, conforme as pesquisas de Maurício Vinhas Queiroz. "Do que um comia, tudo tinha que comer, do que um bebia, tudo tinha que beber, todos eram irmãos" (Depoimento de Maria). Uma outra testemunha acrescenta: " Ninguém tinha o direito de vender nada para outro. Se eu precisava de um vestido era dado. Tudo era dado. Se alguém vendia, era morto". Os sertanejos adoravam táticas de guerrilha, só atacando no momento e locais propícios, daí terem obtido vitórias espetaculares. Diante do fracasso das tropas estaduais, já no governo de Venceslau Brás foi enviada uma poderosa expedição, formada por 8.000 homens sob o comando do General Setembrino de Carvalho. Depois de sitiada a região, os sertanejos foram vencidos pela fome e superioridade das forças federais. Terceiro quadro de uma coleção de quarenta Nome do quadro: CHICA PELEGA E O EXÉRCITO DOZE PARES DA FRANÇAS Voltemos ao passado. Em 1912, mês de outubro, um destacamento da Força Pública do Paraná desloca-se de Curitiba para a pequena cidade de Palmas, no sul do estado, ponto de entrada da região àquela época disputada pelos estados de Santa Catarina e Paraná. O objetivo era atacar um grupo de "fanáticos" reunidos em torno de um homem, o monge José Maria, que, segundo se dizia, havia proclamado a "restauração da monarquia". Os "fanáticos", reunidos em torno do monge, reagiram ao ataque policial e assistiu-se a uma sangrenta luta entre sertanejos e soldados. Com essa batalha, teve início a "Guerra do Contestado", que sacudiu aqueles sertões até 1916. "[...] era certo que José Maria levava consigo a História de Carlos Magno e dos Doze Pares de França e nas horas de folga fazia a leitura de capítulos aos que o seguiam [...]. Nos sertões do Contestado, àquela época, era comum a existência, mesmo longe das vilas, de uma velha edição dessa história. Um repórter observou que entre os raros sertanejos alfabetizados 'o livro predileto é uma maravilhosa História de Carlos Magno que entusiasma e alucina o seu espírito primitivo com aventuras extraordinárias de heróis invencíveis, homens que sozinhos atacam e derrotam exércitos aguerridos'. Ignora-se de que maneira José Maria comentava as façanhas dos cavaleiros da Távola Redonda, mas - como irão confirmar os episódios subsequentes - essa literatura que exaltava a coragem pessoal, a luta contra os 'infiéis' e a fraternidade entre os campeões, marcaria diretamente os acontecimentos". Trigésimo nono quadro de uma coleção de quarenta Nome do quadro: PELUDOS CONTRA PELADOS A Guerra do Contestado foi um conflito armado que ocorreu na região sul do Brasil, entre outubro de 1912 e agosto de 1916. O conflito envolveu cerca de 20 mil camponeses que enfrentaram forças militares dos poderes federal e estadual. Os conflitos ocorrem numa área de disputa territorial entre os estados do Paraná e Santa Catarina, onde ambos os estados contestavam o direito de posse das terras, sendo essa a origem do nome pelo qual a região e consequentemente a guerra ficaram conhecidas: CONTESTADO Foram muitas às causas que deram origem a Guerra do Contestado, entre as principais pode-se levantar a questão dos limites entre Paraná e Santa Catarina. Quem mais sofria com essa situação era a população. Havia mudanças contínuas de autoridades dos dois estados, contratos e casamentos eram cancelados e impostos eram cobrados pelos dois estados. Existia ainda: grilagem de terras por parte dos grandes proprietários sobre os pequenos sitiantes e posseiros; opressão, mandos e desmandos dos Coronéis; e ainda a ação violenta da Brazil Railway. Segundo quadro de uma coleção de quarenta Nome do quadro: A SAGA DO CONTESTADO A união das pessoas em torno de um ideal, levou à organização do grupo armado, com funções distribuídas entre si. O messianismo adquiria corpo. A vida era comunitária, com locais de culto e procissões, denominados redutos. Tudo pertencia a todos. O comércio convencional foi abolido, sendo apenas permitidas trocas. Segundo as pregações do líder, o mundo não duraria mais 1000 anos e o paraíso

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